quinta-feira, 5 de julho de 2012


O Tarot como ferramenta de Auto-Conhecimento e Oráculo.

Como eterna aprendiz do tema, estou estudando o Tarot de Aleister Crowley agora. 
É um baralho muito diferente, surrealista, uma bela criação de Frieda Harris, que rompe com a iconografia clássica do tarô, tanto nas imagens como nas modificações efetuadas na nomenclatura das cartas.
O Tarô é um oráculo de cartas, conhecido em sua configuração atual desde o século XVI.* Ele consiste em 78 cartas que se dividem em dois grupos principais. Os Arcanos Maiores22 compõem-se de 22 cartas numeradas seqüencialmente, nas quais são representados motivos individuais, como, por exemplo, um louco, um mago, o sol e a lua, assim como também a morte e o diabo. As 56 cartas restantes, que são chamadas de Arcanos Menores, subdividem-se em quatro séries ou naipes, que possuem respectivamente um símbolo em comum (Paus, Espadas, Discos ou Copas). Existem duas formas fundamentalmente distintas de utilização do Tarô.
Ao se estudar o simbolismo, a constituição e a estrutura das cartas, as imagens dos Arcanos Maiores tornam-se um livro de sabedoria que descreve o percurso da vida do homem e, além disso, proporciona uma visão significativa sobre a realidade que existe por trás da realidade. Essa forma profundamente esotérica de se lidar com o Tarô restringe-se às 22 cartas dos Arcanos Maiores, que formam a verdadeira proposição filosófica e contêm a filosofia de vida do Tarô.
Em contrapartida, as cartas dos Arcanos Menores, pelo que se sabe até o momento, nunca
foram usadas com uma outra finalidade, senão a de consultar as cartas — a segunda maneira de utilizar-se o Tarô, que é também a mais conhecida.
Se acompanharmos o pressuposto da psicologia junguiana de que no inconsciente descansam forças que guiam a nós, seres humanos, então podemos compreender o Tarô como um diálogo entre o consciente e o inconsciente. Porque, assim como outras vivências e experiências pelas quais passamos são desencadeadas pelo inconsciente para que possa mostrar uma lição e, por meio delas, crescer e amadurecer, os conselhos do Tarô também surgem em nossas vidas como mensagens do inconsciente. Esse contexto deixa o oráculo aparecer sob uma luz completamente diferente e o transforma em uma fonte singular de autoconhecimento. Muitos consulentes utilizam o Tarot, ou outros oráculos como o responsável por suas decisões e escolhas, abstendo-se assim, de exercer o livre-arbítrio – uma forma de não se culpar por más escolhas!
Para que eles fossem entendidos sob essa perspectiva, o filósofo Thales de Mileto mandou inserir no Templo de Delfos, no início do século VI a.C., a famosa inscrição: "Conhece-te a ti mesmo", para deixar claro o verdadeiro sentido de todo e qualquer oráculo. Quem absorver essa mensagem e se deixar guiar por ela seguirá o caminho correspondente à sua própria individualidade e encontrará a si mesmo. Por outro lado, quem considerar o inconsciente apenas um "país das maravilhas", do qual emana um poder mágico capaz de explorar inescrupulosamente o "Eu" com a finalidade de saciar sua ilimitada necessidade de afirmação e suas expectativas ingênuas sobre a sorte; quem quiser calcular com isso os números da loteria ou encarar o Tarô como um seguro espiritual contra os desgostos da vida, sentirse-á, na melhor das hipóteses, decepcionado, quando não, sofrerá uma grande frustração.
"Toda aproximação ao inconsciente com intenção de tirar proveito surte um efeito destrutivo", alerta a junguiana Marie-Louise Von Franz. Ela compara esse processo à exploração desrespeitosa das florestas, à depredação exaustiva da natureza e ao saque ganancioso das riquezas do solo, o que leva invariavelmente à destruição do equilíbrio biológico. Na perda do equilíbrio, encontra-se também o significado original da palavra pecado. Talvez seja esse o perigo, que tem dado repetidamente às cartas do Tarô a má fama de ser o livro de orações do diabo.

(Baseado no livro que estou estudando: Tarot de Crowley – Banzhaf&Teller)

6 comentários:

Marcelo Bueno disse...

Cigana Maria Rosa,

Esplêndida redação e esclarecimento.

Realmente, algumas pessoas buscam a solução de seus problemas através da transferência dos mesmos para uma consulta por meio de oráculos.

Entendo que o Tarô, Baralho Cigano e outros, são meios capazes de nos mostrar o panorama de nossas vidas, são um clareamento para os nossos caminhos em todas as concepções. Estes devem ser utilizados com muita sabedoria e congruência, pois, nós mesmos seremos sempre responsáveis por nossas vidas.
Ainda bem que temos a possibilidade através das cartas de utilizar este “mapa do nosso caminho”, que muitas vezes não detalha, mas nos ajuda a não escolher um atalho errado ou um caminho incorreto.

Quem dera todos pudessem compreender que as cartas ajudam, mas, não resolvem os nossos carmas. A orientação apenas contempla os sábios e os merecedores que com a humildade muitas vezes da crítica são capazes superar a vaidade e aprender continuamente...
Abraços,
Marcelo Bueno

Marcelo Bueno disse...

Cigana Maria Rosa,
Esplêndida redação e esclarecimento.
Realmente, algumas pessoas buscam a solução de seus problemas através da transferência dos mesmos para uma consulta por meio de oráculos.
Entendo que o Tarô, Baralho Cigano e outros, são meios capazes de nos mostrar o panorama de nossas vidas, são um clareamento para os nossos caminhos em todas as concepções. Estes devem ser utilizados com muita sabedoria e congruência, pois, nós mesmos seremos sempre responsáveis por nossas vidas. Ainda bem que temos a possibilidade através das cartas de utilizar este “mapa do nosso caminho”, que muitas vezes não detalha, mas nos ajuda a não escolher um atalho errado ou um caminho incorreto.
Quem dera todos pudessem compreender que as cartas ajudam, mas, não resolvem os nossos carmas. A orientação apenas contempla os sábios e os merecedores que com a humildade muitas vezes da crítica são capazes superar a vaidade e aprender continuamente...
Abraços,
Marcelo Bueno

RUTE disse...

Oi querida,
também tenho o baralho de Crowley. É um deck muito lindo. Embora ainda não me puxou para trabalhar com ele.

Desde o curso de tarô terapeutico que tenho trabalhado com as laminas de Rider Waite. É uma linguagem divinatória que entendo bem. Ótimo canal de comunicação com o alto.

Porém lá no PPP já postei Tarô de Aleister Crowley entrelaçado com culinária. Veja estas duas postagens:
Salada Metamorfose Vegetal
Bolo Alquimia de Eremita

Adorei o paralelo que vc traçou da invasão do inconsciente coletivo com a desfrute injusto da natureza.
Que bom que estás de volta.
Beijo além-mar.
Rute

Maria Rosa Cigana disse...

Marcelo,
que bom que você possui todo esse discernimento com relação aos oráculos. Isso faz com que você usufrua da melhor forma.
Obrigada pelos comentários sempre muito bem elaborados.
Bjs.

Maria Rosa Cigana disse...

Marcelo,
que bom que você possui todo esse discernimento com relação aos oráculos. Isso faz com que você usufrua da melhor forma.
Obrigada pelos comentários sempre muito bem elaborados.
Bjs.

Maria Rosa Cigana disse...

Rutinha,
sempre fico muito feliz em te ver or aqui e suas publicações culinária relacionadas ao Tarot são absolutamente esplêndidas. O Bolo do Eremita é muito bom, eu já havia copiado a receita pelo meu outro BLOG.Ainda não estou trabalhando como Tarot de Thoth, me apaixonei também pelo Rider Waite e não consigo largá-lo! rs.rs.rs. Bjks e ótimo final de semana.